Qual a chance da sua profissão existir em 20 anos?


A crescente preocupação sobre a disputa de robôs e humanos no mercado de trabalho não é recente. Enquanto as primeiras revoluções industriais foram marcadas pela automatização de trabalhos manuais, que acabaram gerando movimentos sociais como o Ludismo, a quarta revolução industrial amedronta com avanços de mecanismos de inteligência artificial e consequente automatização do trabalho intelectual. Estaríamos nós perdendo nossa última utilidade no mercado de trabalho? Seriam os computadores inimigos ou aliados num futuro próximo?

Dois acadêmicos de Oxford publicaram um artigo exatamente sobre esse tópico: o futuro do emprego, quão sucetíveis são os empregos para a automatização pela computação? Carl Benedikt Frey, economista, e Michael Osborne, engenheiro da computação, juntaram esforços e desenvolveram em 2013 um modelo para analisar quais seriam as chances de cerca de 700 empregos existirem em 20 anos. Iremos analisar essa pesquisa mais a fundo no post de hoje.

A redução dos preços e dos custos da computação gerou um grande incentivo aos empregadores em substituir mão-de-obra por capital computacional. Os programadores se deparam com tarefas rotineiras e não rotineiras para codificarem e elaborarem softwares capazes de suprir as responsabilidades de cada cargo. As tarefas rotineiras, como Carl e Michael chamam, seguem regras e podem ser facilmente compreendidas pelas máquinas. Já as não rotineiras que apresentam limitações ao serem especificadas em códigos, passaram também a ser automatizadas através do big data. Além dos incentivos econômicos e do crescimento ilimitado, a informatização passa a extinguir ainda mais a presença humana no mercado de trabalho por lidarem com grandes volumes de dados e não demandarem interrupções, descansos e lapsos de concentração.

De acordo com suas estimativas, 47% do emprego dos EUA já tem “alto risco” de ser automatizado nas próximas duas décadas. As vantagens dessa substituição alterará uma ampla gama de setores e ocupações. Como exemplo dessa transformação, podemos citar o setor de saúde. Os diagnósticos já estão sendo realizados através de máquinas que permitem a comparação de sintomas individuais, genética, histórico familiar e medicações, que proporcionam planos de tratamento mais assertivos aos pacientes.

A automatização também tomou espaço em escritórios de advocacia. O sistema Clearwell da Symantec identifica conceitos chaves em documentos, apresenta resultados graficamente e classifica mais de 570.000 documentos em apenas dois dias. Todas essas habilidades foram desenvolvidas através da análise de idioma que algoritmos sofisticados executam no lugar dos advogados. O departamento de recursos humanos e educação não ficam de fora. Com a tecnologia do big data, a análise do desempenho dos alunos permitirá previsões mais eficazes na adequação e ocupação de faculdades. O mesmo ocorre no desempenho dos funcionários e em seus recrutamentos.

A probalidade da redução de mão-de-obra varia de acordo com as demandas e competências que cada cargo exige. Algumas profissões como telemarketing, carteiros/mensageiros e contadores/auditores tem altas probabilidades de se extinguirem nos próximos anos (99%, 94% e 94% respectivamente). Já outras que acreditávamos que seriam sempre presentes, apresentam também probabilidades significativas: economistas (43%); dermatologistas (30%); professores em geral (20%).

O estudo considera três principais “variáveis de gargalo” para que seu emprego esteja protegido num futuro com computadores mais presentes no trabalho intelectual: inteligência social, criatividade e percepção/manipulação. Para cada uma dessas variáveis, a dupla ainda fez sub-divisões de habilidades como variáveis de input no modelo de parametrização das chances de sobrevivência dos empregos. Os detalhes estão em inglês na tabela abaixo. As chances também foram ponderadas pelo efeito de substituição, ou seja, trabalho com alto custo de mão-de-obra estão mais suscetíveis a “computadorização” da atividade.

Tabela das competencias nos trabalhos intelectuais

Competências que estão imunes à informatização, como inteligência criativa e social, serão fundamentais para os trabalhadores se realocarem no mercado. Por mais evoluídos que os algoritmos estejam, eles ainda não são capazes de suceder esses raciocínios. Entender a linguagem entre o ser humano e a máquina também será essencial para manter o seu emprego. Invista em suas competências criativas e aprenda a programar em Python.