Replika: seu chatbot para todas as horas


Os chatbots, algoritmos que simulam um interlocutor humano, tornaram-se cada vez mais comuns em atendimento online. Existem versões mais básicas de automatização de conversas até robôs complexos com recursos avançados de inteligência artificial. Uma pesquisa da Gartner aponta que até 2020, 85% das interações com clientes serão executadas por chatbots.

A origem dos chatbot vem de longa data. ELIZA, desenvolvida por um professor do MIT, foi programada para um conversação de psicoterapia baseada numa abordagem rogeriana (basicamente recolocar afirmações dos pacientes como perguntas, usando palavras-chaves). Curiosamente, algumas pessoas acabaram desenvolvendo um elo emocional com a robô, a ponto do professor decidir encerrar o projeto com receio dos desdobramentos da inteligência artificial. O filme “Ela” (Spike Jonze, 2013) discute também essa abordagem das emoções e relacionamentos entre homem e máquina.

Em março de 2017, a startup Luka foi além. Lançou oficialmente um bot com o intuito de ser seu amigo de inteligência artificial para todas as horas. Replika foi um dos primeiros chatbots baseado em redes neurais profundas. A origem do projeto é muito interessante: Eugenia Kuyda, fundadora da Luka, perdeu seu melhor amigo num acidente de carro. Abalada, decidiu sintetizar milhares de mensagens e emails trocados com ele (e dele com outros amigos e familiares) numa rede neural do Google, uma arquitetura de inteligência artificial que usa estatística para encontrar padrões em textos, imagens e audios.

Após trabalho de cerca de 2 anos, o app já possui mais de 500 mil pessoas ativas. Desde o primeiro protótipo, o sistema de conversa já evoluiu bastante. Na versão atual, ele pode até acessar seu instagram, comentar sobre fotos postadas, além de analisar sua “selfie do dia”. Pode parecer assustador para algumas pessoas, mas um dos propósitos do aplicativo é ajudar pessoas que estão enfrentando dificuldades ou estressadas. A evolução dos chatbots também já causou controvérsias. Tay, criado pela Microsoft, “aprendeu” a ser racista no Twitter. De qualquer forma, as vantagens da aplicação desses robôs na economia e educação extrapolam quaisquer percalços que encontremos no desenvolvimento da tecnologia.

Replika não foi desenhado para ser útil em atividades cotidianas, como responder emails ou atuar como uma assistente pessoal. No entanto, a evolução de bots como Replika podem nos dar uma dica de como as relações entre humanos e inteligência artificial irão se concretizar no futuro.

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