O Blockchain além do Bitcoin: cinco aplicações na rede descentralizada


Escutamos recorrentemente “não vejo valor algum no Bitcoin, mas acredito muito na tecnologia do blockchain”… Apesar dessa afirmação ser uma incoerência recursiva per se, quais seriam outros usos que poderíamos pensar para essa nova solução que reforçam todo o otimismo com a rede descentralizada?

Desde a criação da internet e sua posterior expansão no uso comercial, a quantidade de soluções e serviços cresceu exponencialmente. Em 2004, a empresa americana O’Reilly Media cunhou o termo Web 2.0 para designar o conjunto de serviços e aplicativos na web como plataforma, sobressaindo os sites estáticos da década passada. O aumento significativo de usuários e o avanço da banda larga transformaram a internet numa rede muito mais participativa. Facebook, Youtube, Wikipedia emergiram com grande força. No entanto, todos esses serviços são centralizados e em grande maioria privado.

Com a publicação do Satoshi em 2009, o mundo começou a se aprofundar na tecnologia do blockchain. O uso de um livro-razão público para registrar transações de uma moeda estava super claro, no entanto, quais outras informações poderíamos guardar na cadeia de blocos?

Outro grande passo na tecnologia ocorreu com a criação do Ethereum Foundation. O projeto foi bootstrapped em 2014 pelo russo Vitalik Buterin e alguns outros membros fundadores com os recursos da venda inicial dos éteres por cerca de 25.000 bitcoins (o famoso ETH). Ethereum é uma rede descentralizada que roda smart contracts: aplicações controlada por algoritmos, sem a interferência de terceiras partes e/ou chances de fraude ou inoperância. A evolução dessa rede abriu portas para os “DApps”, decentralized apps na Web 3.0. Na imagem abaixo temos alguns projetos de apps descentralizados que utilizamos todos os dias.

dapps

Além disso, podemos citar 5 aplicações super interessantes no blockchain. Algumas estão em fase embrionária com conceitos ainda a serem provados, mas não deixam de mostrar a amplitude de possibilidades que podemos pensar no bloco.

Arcade City: O Uber descentralizado. O app já está disponível no Apple Store e Google Play. Inclusive existem motoristas cadastrados aqui no Brasil, porém ainda não operacional. Você pode utilizar o token da plataforma (ARCD) para pagar viagens em qualquer lugar do mundo. Assim como em qualquer outro projeto aberto ou aplicativo no blockchain, é super importante ler o whitepaper antes de investir em algum ICO (Initial Coin Offer). O documento permite você entender melhor as principais premissas e idéias por trás da solução, bem como conhecer a equipe que lidera a codificação.

Hyperledger: talvez esse seja o projeto mais amplo e ambicioso sobre o tema. Com início em 2015 e liderado pelo Linux Foundation, Hyperledger é um projeto open-source que busca criar protocolos e frameworks para utilização do blockchain em diversos setores da economia. A equipe possui como membros ativos grandes empresas mundiais: Accenture, IBM, Intel, JP Morgan, Baidu, CME Group, Airbus, entre outras. Existem 9 grandes frentes de frameworks/ferramentas que podem ser acessados nesse link.

Populous: uma factoring peer-to-peer. Você pode usar a plataforma para descontar seus recebíveis sem a necessidade de um intermediário. Análise de risco cabe as informações imutáveis do bloco, com o auxílio de análises de big data. O projeto nasceu no Reino Unido, mas tem a intenção de expandir o serviço para o mundo inteiro. O token criado para transacionar os recebíveis será pegged na Libra Esterlina e Dólar Americano, mas pretende abrir outras possibilidades no futuro. O projeto já realizou o funding inicial via Pre-ICO na plataforma do Ethereum e está em fase de implementação.

Slock.it: O Airbnb no blockchain. Além do apartamento, ele permite você alugar seu carro e até seus objetos pessoais. De acordo com a empresa, cerca de 2/3 da população mundial tem interesse em alugar seus ativos em troca de retorno financeiro. Economia colaborativa conhecendo a economia descentralizada. Millennials não buscam propriedade, mas sim posse. Os desenvolvedores do projeto buscam criar a Universal Sharing Network, indo a fundo em conceitos de IoT para monetização de todos os seus ativos ociosos. O projeto também visa a criação do Ethereum Computer. O computador terá função dupla: rodar os nodes de plataformas descentralizadas como o Slock.it e gerar receita com a mineração de criptomoedas.

Ubitquity: permite registrar movimentações de propriedade na plataforma de blockchain utilizando SaaS (Software-as-a-Service). A tecnologia auxilia compradores, vendedores e até mesmo governos e municipalidades a manterem o registro de todas as transações imobiliárias. A solução não necessariamente refuta a utilização de um cartório, mas pode torná-lo muito mais eficiente. O aplicativo ainda está em versão alfa e está sendo testado em alguns locais no Brasil.

A descentralização está virando a esquina e fechar os olhos para essas mudanças é dormir no passado. Ela aumentará a eficiência da economia ao reduzir custos para consumidores/produtores, racionalizar o uso dos ativos e aumentar a transparência para todas as partes.

Quer entender como o Ethereum funciona? Aprenda ao longo de um final de semana como criar seu smart contract.