Quem está escrevendo suas notícias?


Em tempos de grande alvoroço político e às vésperas das eleições presidenciais, notamos uma verdadeira guerra ideológica na mídia e muitas vezes questionamos a imparcialidade dos jornalistas perante aos fatos. Hoje em dia, precisamos até colocar em xeque a real veracidade das notícias nos meios de comunicação e redes sociais. Neste post iremos entender como a inteligência artificial irá nos ajudar inclusive no jornalismo. Quais são os mecanismos que estão surgindo para nos auxiliar na busca da verdade?

Uma startup americana criou um site de notícias que utiliza machine learning e jornalistas reais para produzir notícias que não sejam enviesadas. A Knowhere News busca as histórias mais populares na internet através de um web crawling e analisa diversas fontes desse mesmo conteúdo: sites com tendência de direita, tendência de esquerda e computa toda essas informações. As notícias também são ponderadas pela relevância da fonte que ela foi publicada.

Em seguida, o algoritmo de inteligência artificial produz sua própria versão imparcial, além de produzir duas novas versões com tendências claras de direita e de esquerda. Segue abaixo um exemplo publicado em 10 de abril sobre política americana.

Imparcial: Embaixadores dos EUA e Rússia trocam ameaças sobre o ataque químico na Síria
Esquerda: Russia afirma que EUA encenou ataque químico falso numa tentativa de resposta
Direita: Nikki Haley acaba com Rússia no Conselho de Segurança da ONU

Para notícias que não estão no espectro político, o algoritmo também é capaz de analisar a notícia de uma maneira positiva ou negativa. Você pode ver um exemplo nessa manchete de notícia do Facebook publicada em 5 de Abril.

Imparcial: Facebook verifica coisas que você envia no Messenger, Mark Zuckerberg admite
Positivo: Facebook revela que verifica Messenger a procura de conteúdo inapropriado
Negativo: Facebook admite estar espionando no Messenger, verificando imagens e links privados

Existem alguns casos que eles apenas publicam a versão imparcial. Normalmente são notícias de economia ou tecnologia. Os jornalistas são utilizados no processo para revisar o material produzido e dar o toque humano à leitura.

Porém, notícias tendenciosas é apenas parte do problema. Na era do excesso de informação, precisamos tomar cuidado se a notícia produzida na internet é de fato verdadeira. Os problemas com “Fake News” estão cada vez mais comum e há quem acredite que elas foram decisivas para a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. A preocupação é tão grande que o próprio Mark Zuckerberg comentou publicamente que acompanhará de perto as eleições brasileiras e possíveis impactos da rede social no período eleitoral.

Uma reportagem da NBC News discute o potencial de I.A. para combater as fake news. A criação de fake news acontece desde a produção de bots para produção de manchetes e notícias falsas, até sistemas elaborados que sintetizam novas falas em vídeos. Veja esse exemplo do Barack Obama no youtube. No início desse ano, Google e Facebook anunciaram em Davos que estão desenvolvendo um sistema de inteligência artificial para notificar usuários sobre conteúdos duvidosos.

O problema também desencadeou a criação de um esforço conjunto de pesquisa, o Fake News Challenge. A competição premia os melhores algoritmos de código aberto para o combate de notícias ludibriantes. Eles buscam explorar mecanismos de machine learning e processamento de linguagem natural (NLP) para mitigar o problema. O primeiro desafio foi denominado FNC-1 e busca comparar a correlação da manchete com o corpo de texto da notícia. Todos os detalhes estão no Github da competição e tem alguns parâmetros de grupo de teste e grupo de treino bem definidos. Entenda a pontuação no fluxograma a seguir.

Fluxograma Fake News Challenge

Tecnologia entra em ação novamente para nos ajudar a criar um ambiente mais transparente a todos. Achou o tópico interessante, mas ficou em dúvida com alguns termos como grupo de treino, Github e processamento de linguagem natural? Conheça nossos cursos de Python e Data Science para dominar essa programação.