Stack Overflow 2018: o que a estatística nos fala

Um dos principais sites de perguntas e respostas sobre programação, Stack Overflow, publica anualmente uma pesquisa com diversos dados do setor e tendências tecnológicas na área. Neste ano, mais de 100 mil desenvolvedores participaram da enquete, dentro de um universo de 50 milhões de usuários que visitam o site (com cerca de 21 milhões de desenvolvedores profissionais e estudantes universitários). Iremos dividir quais foram os principais insights para 2018.

Um dado extremamente interessante é que cerca de 80% dos participantes, sejam eles profissionais ou não (o site divide a pesquisa entre desenvolvedores profissionais e todo o universo) praticam programação como hobby. Ou seja, mesmo aqueles que usam programação em sua rotina do trabalho, ainda codificam nas horas livres como “diversão”. Esse dado reforça a importância da prática em programação. Assim como aprender um instrumento musical, codificar exige constância de treino. Nunca pare de escrever suas linhas de código.

Programador é lifelong learner. Cerca de 90% dos participantes falaram que aprenderam alguma nova linguagem ou framework fora de sua educação formal. Estamos num setor de constante mudança, o que reforça a necessidade de estar sempre antenado e atualizado no que existe de mais novo e eficiente no mercado. Nesse mesmo tópico, eles indicam a importância de uma boa documentação da linguagem, somado a comunicação e troca de experiência peer-to-peer.

A população programadora ainda é predominantemente masculina, com cerca de 93% de todos os participantes. Isso é um dado comum nas carreiras de “exatas”, mas já notamos ventos de mudança nos novos entrantes. A título de exemplo, na Let’s Code cerca de 40% do público teens é feminino. Além disso, conhecemos diversas iniciativas no mundo para aumentar a inclusão de mulheres no segmento. O site ainda entra em alguns dados demográficos bem específicos (até o horário médio que os desenvolvedores acordam!) que não iremos explorar nesse post.

A segunda parte da pesquisa discute a popularidade das linguagens de programação e principais tendências. Como esperado, ainda verificamos uma dominância das linguagens web (JavaScript, HTML e CSS), além de Java, Python e C encabeçando a lista. JavaScript ganhou pela sexta vez consecutiva como linguagem mais utilizada e Python é claramente definida como a linguagem que mais cresce no mercado. Em relação a frameworks e bibliotecas, as mais populares seguem Node.js, Angular, React, .NET e Django. Banco de dados fica com MySQL (~60%) e plataforma venceu Linux com 50%.

Python, pelo segundo ano consecutivo, foi eleita a linguagem mais procurada. Ou seja, ela é a linguagem que as pessoas mais querem aprender, sejam desenvolvedores profissionais ou não. Curiosamente, TensorFlow também foi a biblioteca mais procurada esse ano. Ela é uma biblioteca de código aberto para algoritmos de machine learning, muito utilizada em Python também. O site publica um gráfico de correlação das linguagens bem interessante que vocês podem analisar no link do questionário.

Sobre gestão de projetos, Agile e Scrum continuam como as principais metodologias utilizadas pelos programadores, além do bom e velho Kanban. Pair programming vem ganhando relevância, cerca de 30% dos participantes indicaram sua utilização. Git continua extremamente dominante em controle de versão, com utilização de ~87% dos entrevistados. Após a venda para a Microsoft, notamos que muitos programadores estão migrando para Gitlab (outro projeto open source), com medo das intenções e possíveis alterações que a empresa possa fazer na plataforma.

Por último, a pesquisa discute as estatísticas do mercado de trabalho em programação. No mundo, os melhores programadores são pagos em média 60 mil dólares anuais, com dados vindos principalmente de Estados Unidos, Europa e Índia. 75% desses programadores estão empregados “full-time” em diversos setores da economia. Não existe uma dominância de setor e tamanho de empresa. Essa pesquisa é um ótimo raio-x para entendermos como a programação está e um bom norte para estimarmos onde ela deverá seguir.